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De repente 40 no mundo corporativo

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Quando cheguei próximo aos 40, comecei a fazer as contas sobre quantos anos mais ainda me restariam. Mais 30? Mais 40? Provavelmente agora tenho metade da minha vida ou tenho menos do que já vivi. A minha metade de vida passou rápido. Tão rápido que a sensação é de que talvez não tenha aproveitado bem.

Ainda assim, cá estou: fechada num escritório por 10 horas diárias. Trabalhos no fim de semana, decisões importantes, conflitos e ansiedade.
Mas agora, chegado aos 40, de repente deu um “click”. Resolvi que será diferente.

Isso me fez lembrar da minha infância, quando preparava uma panela de brigadeiro para prazerosamente saboreá-la sozinha. No início comia rápido, ainda que muito quente e sem me preocupar com o eventual mal estar que pudesse me causar. Mas, percebendo que praticamente toda panela já se fora e restava pouco para aproveitar tal deleite, ia então consumindo devagarinho e raspando todos os lados ainda preenchidos, tentando estender pelo mais longo tempo a última colherada.

Como aquela panela de brigadeiro, agora me resta pouco. Já não tenho tempo a perder com coisas insignificantes, principalmente as do mundo corporativo.

1. Não quero mais participar de reuniões, que nada mais são do que grandes palcos para o desfile de vaidosos. E me impaciento com invejosos tentando destruir quem eles admiram, ambicionando seus lugares.

2. Comitês intermináveis para discutir governança, normas e procedimentos internos? Nem pensar! Também não quero mais ver os ponteiros do relógio demorando em passar nas diversas conferências sobre busca por excelência, foco em resultado, alta performance, blá, blá, blá…

3. Não quero mais gerenciar mágoas de pessoas que, apesar da idade cronológica, são imaturas. Detesto cada vez mais ser juíza final para promover fulano ou beltrano para o suntuoso cargo de supervisor geral do almoxarifado.

4. Meu tempo ficou escasso para projetos que vão “revolucionar o BUSINESS”, mas que em realidade não passam de simples agenda pessoal do executivo que ambiciona passar a perna em outro.

Aos 40, meu tempo está raro para discutir inutilidades. Quero falar de conteúdo. Quero a essência e o essencial. Com pouco brigadeiro na panela, quero estar com pessoas autênticas; pessoas que jogam o jogo do bem estar coletivo e o jogo do fazer o bem, diferentemente do jogo das vaidades. Quero Solteirar no ambiente de trabalho e resgatar a essência do que sou. Quero ter liberdade para divergir, para criar, para continuar altruísta, ainda que isso me faça ser julgada como inocente. Enfim, quero curtir os brigadeiros que ainda me restam antes que o inesperado me faça uma surpresa.

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8 COMENTÁRIOS

  1. Se depois deste texto existir alguma dúvida que eu não quero isso para minha vida, é porque de fato eu me boicoto a veras. Obrigada pela previsão futurística da minha vida e por me fazer enxergar que eu não preciso passar por isso para ser feliz ou ter satisfação na vida. Preciso, assim como você, resgatar o que move a alma enquanto ainda há tempo. Não tenho 40 ainda, mas sinto que estou desperdiçando os anos que eu tanto sonhava em ter.. A casa dos trinta.. E pelo quê?? Uma falsa segurança financeira.. Essa enganosa estabilidade que nos acorrenta ao medo do inesperado. Preciso tentar, ao menos tentar ser aquilo que um dia, lá atrás eu sonhei que seria. Bora na fé.

  2. Pois é… Denivia. O tempo de nossas vidas é muito curto. E chega uma hora que sabemos que não mais podemos ficar em nossas amarras. E, sim fazer o que nos deixa livre.

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Paulista de 46 anos, estado civil volátil. Ex-executiva que cansou da vida escrava e resolveu ser atriz, escritora e filósofa nas horas vagas. Cursou Engenharia, Direito, Administração e tem MBA, mestrado, doutorado e o diabo a quatro, mas não recomenda a ninguém. Morou 4 anos em Londres, onde foi colunista em jornais e revistas locais. Provocadora e introspectiva, adora questionar o status quo. Escreve um pouco de tudo e pensa tudo sobre pouco.

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