Home Opiniões Convidadas (os) Entrevista Solteirar com Natalia Pereira – Empreendedora e fundadora da Maya Materna

Entrevista Solteirar com Natalia Pereira – Empreendedora e fundadora da Maya Materna

0 6032

Quem é a Natalia Pereira?

33 anos, solteira, taurina, nasci em Santos mas sou crescida e caipira de Pirassununga, Bacharelada em Fotografia e pós graduada em Gestão Cultural. Quando terminei a faculdade fui trabalhar em navios de cruzeiros, pra uma empresa americana que terceiriza os fotógrafos para algumas companhias. Ai pude realizar uma parte de um sonho – viajar o mundo.

Trabalhava muito! Mas passei por mais de 50 países, 6 continentes, 5 navios de diferentes portes e nacionalidades, conheci pessoas, culturas, idiomas, músicas. Foram quase 4 anos a bordo então tenho amigos por todo o mundo.

Depois morei um tempo em Puerto Vallarta, no México, também trabalhando com fotografia. Uma experiência bastante diferente do navio, mas de muito importância pra minha vida. Em 2010 voltei ao Brasil e comecei a ensinar no curso técnico de fotografia do Senac, em SP, e a fotografar eventos sociais e corporativos. Fiz a pós graduação e também trabalhei com projetos culturais.

Durante a sua carreira de fotógrafa, já encarou situações sexistas? Que postura você recomenda nesse tipo de situação?

Acho que a mulher sempre enfrenta, né? Mas eu me sinto um pouco sortuda, já que foram poucas vezes. No navio eu fui promovida rapidamente, no meu terceiro contrato eu me tornei assistente de gerente e em poucos meses já era a gerente da equipe. Na época levava uns 5 ou 6 contratos para que isso acontecesse.

Então aí sim apareceram comentários de que eu havia sido promovida porque o meu gerente de operações (que trabalhava no escritório e visitava o navio 1 ou 2 vezes no ano) só tinha me promovido porque me achava bonita. Eu nunca me importei, sabia que tinha sido promovida porque fazia um bom trabalho e a empresa precisava de alguém com o meu perfil naquele momento. Fui a primeira brasileira Gerente de Negócios Fotográficos da empresa.

O que mais me incomodava era quando eu comentava que alguma nova fotógrafa chegaria para a equipe e a pergunta vinha: ela é bonita? Tanto faz! O que me importava era se ela era competente, inteligente, boa fotógrafa.

Não sei se tenho uma recomendação para estas situações, mas eu sempre tive a certeza de qual era o meu papel dentro da empresa e nunca achei que poderia fazer mais ou menos por ser mulher. Pra mim não tem muito “coisa de menino” x “coisa de menina”. Saí do interior com 17 anos pra fazer faculdade em SP, com 21 fui para o navio e mais tarde pro México. Com o apoio dos meus pais, mas sempre enfrentei esses desconhecidos sozinha. Eu queria sempre conquistar mais, fazer mais, conhecer outras coisas, pessoas. Ainda tenho isso em mim. Acho que acreditar em mim é o suficiente para enfrentar as situações. Sei como e porque cheguei aos lugares, empregos que tive. Faço questão de me colocar muito profissionalmente.

Como nasceu o Maya Materna?

No fim de 2015 eu tive a ideia do novo negócio, fui fazer alguns cursos de empreendedorismo, pedi demissão do Senac, parei com a fotografia. Comecei a me dedicar exclusivamente para que minha vida tivesse um novo caminho profissional.

Já tinha um tempo que eu estava insatisfeita com minha carreira profissional. E por mais que adorasse fotografar casamentos, não me via fazendo isso ao 50 anos.. Vinha procurando outras opções e a possibilidade de ter um negócio era o que mais me instigava. Quando minha irmã teve sua primeira filha ela reclamou das lingeries disponíveis e isso meio que passou batido. Na segunda gravidez a reclamação apareceu novamente. Eu assino uma newsletter de uma empresa de lingerie há bastante tempo, sempre gostei de sutiãs. Os e-mails chegam quase que diariamente e, um dia, apareceu no email 1 único sutiã de amamentação e até que era bonitinho. Encaminhei o email pra Stella e 1 ou 2 dias depois me deu o clique: “se ninguém faz isso eu vou fazer! Falei pra minha irmã da ideia ( já tinha falado de outras anteriormente, sem nenhum sucesso! ) e ela adorou. Não dormi naquela noite. Passei a pesquisar sobre o assunto, conversar com mães etc.

A ideia apareceu em agosto ou setembro. Em outubro pedi demissão das aulas e fui finalizando meus compromissos com a fotografia. Passei a visitar oficinas de costura, procurar estilistas, fazer curso de empreendedorismo, pesquisar concorrência, etc.

Fiz o Empretec, que um grande amigo havia indicado, e depois montei um plano de negócios. De novembro 2015 a setembro de 2016 foi só aprendizagem. Eu não sabia nem o nome dos tecidos, elásticos, quantas partes um sutiã tem.. nada! Ainda hoje aprendo algo novo todo dia.. e é ótimo. Estamos online desde 30 de Setembro e o feedback tem sido incrível.

Por que arriscar uma carreira estável para trabalhar em um novo negócio?

Realização pessoal e a oportunidade de preencher uma lacuna no mercado. Eu não estava feliz com a minha carreira tive uma ideia que me pareceu boa. Outras pessoas falaram que era boa. Estudei, pesquisei e cada vez mais ficava na minha cabeça que era um bom caminho, uma boa oportunidade de negócios. Era um risco, mas um pouco calculado: vendi o carro pra montar a empresa e voltei a morar com meus pais para economizar o aluguel, tive que sair de SP e voltar a Pirassununga. Se o negócio não desse certo, teria que voltar a fotografar e talvez ensinar. Achei que valia a pena o risco.

Quando contava minha mudança dava pra ver em alguns rostos as caras de dúvida: eu não venho da moda, não sabia nada de lingerie, etc. Mas acreditei que com a equipe certa, muita persistência e planejamento o negócio andaria. Me comparo a uma maestrina: não toco nenhum instrumento, mas conduzo a banda.

Eu tenho que ser muito grata pela oportunidade que tive de mudar. Minha família acreditou na minha ideia e me incentivou neste novo caminho. Minha irmã é sócia no negócio, meus pais me receberam em casa e me ajudaram a financiar o projeto. Meus amigos me ajudaram muito, me apresentaram pessoas importantes para que a Maya acontecesse, me receberam em suas casa quando precisei ficar em SP para trabalhar, alguns trabalharam no projeto, com a Mariana Valverde que fotografou nossas peças e a Júlia que foi nossa modelo mamãe linda! No começo da ideia nós pensamos em importar algumas marcas e revende-las aqui no Brasil, o que facilitaria o negócio. Mas aí a Maya não teria a nossa cara, nossos desejos. E passamos a desenvolver as peças do zero, criamos tudo. A Andreza Zan, que foi a estilista dessa primeira coleção, me pegou pela mão e me apresentou a todos os fornecedores de tecidos, rendas, mão de obra, etc!

A maioria das pessoas que tem vontade de mudar ou tem uma boa ideia na cabeça, não tem a oportunidade. Eu tenho uma grande rede que me ajuda a seguir em frente e realizar este sonho. Tenho que reconhecer e ser muito feliz por ter estas pessoas ao meu redor.

Quem são as clientes do Maya Materna?

A Maya surgiu para dar cor, alegria, praticidade e conforto para as gestantes e mulheres em fase de amamentação. Mas além disso queremos que as mulheres vejam nossas lingeries como um carinho para elas mesmas. Elas passam meses escolhendo nome, roupinha, berço, decoração, etc para o bebê. E muitas vezes vão pra maternidade sem um sutiã de amamentação na mala. A lingerie é quase sempre vendida como uma “arma de sedução”, é só a gente observar a maior parte da publicidade deste mercado.

Mas nós queremos que a Maya seja uma arma para a própria mulher se reconectar com este corpo em constante mudança. É um fato que ela vai precisar de um sutiã para esta nova fase então por que não usar um sutiã bonito, bacanudo, colorido? A grande maioria do que se vê é bege e sem graça. Pode ter cor sim, pode ter renda, estampa, capricho e carinho. Tem que ser fácil de usar, confortável e tudo o mais, mas não precisa passar desapercebido.

A mulher que compra Maya cuida da autoestima e sabe que um sutiã legal pode mudar o seu humor. Não é pro outro, não é sedução; é pra ela, pra este novo momento de vida. Ela quer cuidar tão bem dela quanto cuida do seu filhote.

Que relação você enxerga entre o Maya Materna e o Solteirar?

A definição do Solteirar poderia ser a descrição da Maya! Acho que o que vocês propõ em é justamente o que queremos para as mulheres, o que eu busco pra mim. Quando vocês dizem: “plenitude individual ou à procura dela” e outros valores tão importantes como estar em contato consigo, independência, errar e não se cobrar, me reconheço como pessoa, mulher e também como empresa. Queremos liberdade para que as mulheres escolham – ou não – filhos, casamentos, estilo de vida.

Normalmente colocamos um mundo de coisas e compromissos na frente das nossas vontades. Dá pra ser plena, mais honesta consigo mesma. Autoconhecimento é um caminho longo, mas é necessário estar sempre em contato com nossas emoções, fraquezas, dificuldades, prazeres. Só assim conseguiremos caminhar com mais firmeza.

A Maya quer que a mulher se reconecte com seu corpo, que passou por tanta transformação física e emocional. Queremos que esta recém nascida mãe cuide dela também. Sentir-se bonita e bem cuidada traz felicidade e leveza à vida.

 

Crédito fotos de Natália: Reginaldo Rocha

(Visited 867 times, 1 visits today)

Comentários do Facebook


Seja a primeira a comentar

Deixe seu comentário

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Solteirar.com. É vedada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Solteirar.com poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Cadastre-se e não perca nada do Solteirar.com!
Receba nossa newsletter.




ARTIGOS SIMILARES