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igualdade de gênero

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Semana da mulher… Mas há motivos para comemorar?

As estatísticas parecem não ajudar:

  1. As mulheres continuam a ganhar menos e a sofrer bem mais com o desemprego (dados da PNAD em 2015 indicavam uma taxa de desocupação 50% superior para as mulheres). E isso piora ainda mais quando há qualquer crise.
  2. As posições de poder continuam a pertencer aos homens. Se você duvida, basta fazer uma rápida estatística em sua própria empresa.
  3. A tragédia das mulheres que morrem simplesmente pela condição de ser mulher parece não arrefecer. E o quadro fica mais dramático quando avaliamos as estatísticas de feminicídio entre as mulheres negras. Parece até que a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio, que qualifica os assassinatos motivados pela condição de gênero da vítima no rol dos crimes hediondos, pouco estão contribuindo para mudar essa situação.
  4. E quanto ao tão comentado assédio sexual? Aposto que você conhece uma amiga, irmã ou sobrinha que tenha sido assediada. Ou mesmo você já tenha sido. E será fácil ganhar essa aposta, já que 86% das mulheres brasileiras sofrem assédio em público. E aqui não confundam assédio com uma “cantada inocente”. Nessa estatística, considerou-se assédio sexual como um ato agressivo contra a mulher.
  5. Mais um número de entristecer numa sociedade que culpa as vítimas: mesmo com toda a divulgação do tema nos últimos anos, 52% das mulheres que sofrem violência ainda se calam.

Apesar de todas as injustiças e brutalidades envolvendo as mulheres, que muitos ainda teimam ignorar ou vincular a posições políticas de esquerda, comemorarei o dia da mulher em grande estilo.

Afinal, aos trancos e barrancos, as mídias mundiais seguiram promovendo o debate feminista e, para encorajar todas as vítimas desses abusos, as poderosíssimas artistas de Hollywood aderiram em massa à luta pelo fim da violência contra a mulher, desmistificando a imagem de que apenas as mulheres “derrotadas e encalhadas” se tornam feministas.

E, com esse cenário cada vez mais encorajador, nos sentimos empoderadas a soltar a voz.

Acredito que o direito de dizer o que bem entendermos e de denunciar qualquer tipo de abuso é a centelha essencial para a transformação. Só mudaremos o mundo de fato se escancararmos a violência, a injustiça, a falta de oportunidades, o mito da inferioridade e da subserviência feminina (incutido silenciosamente por séculos em nossas mentes)…

Sim, as estatísticas ainda são aterradoras, mas passamos a falar abertamente sobre nossos problemas e, principalmente, passamos a ser ouvidas.

Assim, defensores do establishment, a mudança está ocorrendo em velocidade galopante! E ela não só está batendo na porta de cada um de nós, mas está espancando a cara de quem a menospreza.

Há os que tentam uma reação desesperada associando o rótulo de “puritanas” às feministas. Para esses, um recado desta orgulhosa integrante do movimento: temos tolerância zero com qualquer tentativa de ditar regras de como viver para qualquer ser neste planeta. Nenhuma feminista aceita que alguém determine como alguém deve paquerar ou ser paquerada. E nenhuma de nós admite que modelo de comportamento algum seja imposto por seja lá quem for.

E como poderíamos não ser solidárias à liberdade sexual? Se conhecerem uma feminista que não seja, por favor, me apresentem.

O fato: essa ameaça ao status quo está irritando justamente aqueles que não querem perder a liberdade de assediar e subjugar as mulheres. E por isso eles tentam desqualificar as motivações de movimentos como o ‘Me Too‘ e o ‘Time’s Up‘.

Mas começo a acreditar que essas chorumelas são inúteis, já que o mundo ocidental está mudando rápido.

Nós mulheres estamos falando cada vez mais alto para defender uma sociedade com mais justiça, liberdade, igualdade de direitos e com menos violência.

Os homens de verdade também já perderam a vergonha de lutar por um mundo melhor para as mulheres que amam.

E os homens que acusavam as feministas de barangas que não se depilam terão de trocar o discurso depois do apoio das belas e poderosas atrizes. Buscam se aproveitar da confusão entre assédio e cantada para acusar as feministas de moralistas e de tentarem ditar comportamentos. Mas esse viés é fácil de ser superado: cantada é quando a experiência é divertida para as duas partes; assédio é quando um lado da história (homem ou mulher) é subjugado – ou agredido – pelo lado que naquele momento tem o poder para isso.

E você? Ainda não sabe bem quando a outra parte não está gostando? Sinto lhe dizer que você é um ogro sem o mínimo de sensibilidade social. Ou se acha a última bolacha do pacote… Mas ainda há uma saída para você sair desse impasse inconveniente: antes de paquerar uma mulher, imagine se o que você vai fazer agradaria sua mãe ou sua filha.

Agora, se você nem for capaz de imaginar se está agradando ou não, comece a rezar para que o mundo mude bem devagarzinho, já que as mulheres quebraram o silêncio.

E uma semana da mulher com muito debate feminista a todas(os) nós!!!

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Quando se pensa em igualdade de gênero fica claro que, ao longo do último século, a situação feminina evoluiu bastante em qualidade em nossa cultura. Em algumas, ainda não, como na muçulmana e sociedades muitíssimo pobres.

Escolhemos nossos companheiros, frequentamos escolas, votamos, conquistamos oportunidades profissionais, viajamos sós, temos leis que melhor nos protegem, mas sem dúvida falta muito.

O feminicídio ainda é altíssimo, o estupro, quase consenso se a mulher não se “comportar”, salários inferiores, aceitação social da “superioridade” masculina e trabalho dobrado como coisa inerente ao sexo frágil. Vejamos.

O casal chega em casa após a jornada de trabalho para ambos. A esmagadora porcentagem dos maridos vai para o sofá esperar pelo jantar.

A mulher corre com a comida, a atenção aos filhos. Note-se que por imposições várias talvez um filho único. Confere seu desempenho escolar, as lições de casa, a matéria das provas. Banho, montagem da mochila, lance, uniforme…

Serve a comida, põe o filho não facilmente na cama e diligencia as tarefas do dia seguinte: escolhe o cardápio, põe a roupa para lavar, organiza a baderna. Alguns maridos parca e parcialmente ajudam. Ele come e volta à tevê ou ao trabalho.

Ela também volta às tarefas profissionais, só após o término de suas obrigações.

Mesmo doente ela só vai cuidar-se quando tudo estiver em ordem. Ela pode ser advogada, engenheira, enfermeira, professora, vendedora… Põe toda essa carga nos ombros e cobra-se muito pelo seu desempenho. E se algo dá errado, julga ser culpa sua.

Seu parceiro continua ocupado demais com coisas sérias demais para desviar sua preciosa atenção para coisas de mulher.

A situação começa a mudar entre jovens e mais esclarecidos, e fica mais atenuada para quem tem melhor poder econômico, mas minusculamente em relação ao universo das famílias. Acrescido do fato que mais de um terço das famílias não tem o pai. E mesmo com eles quase metade desses lares tem a mulher como chefe, pois é o arrimo econômico da casa.

Não vamos esquecer que muitas mulheres mantêm parceiros que não trabalham, não ajudam ou até mesmo as exploram.

Por outro lado, há os que participam mais e entendem a importância de compartilhar essa difícil vida em família.

Vamos ensinar compartilhamento, incentivá-lo para termos uma vida de maior valorização como ser humano em igualdade de direitos e deveres.

 

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Tinha decidido ir ao Rio com minha possante e, por mais cabeça dura que eu seja, bastaram alguns segundos para que meus amigos me convencessem a desistir do plano: “Olimpíadas no Rio de moto? Você está louca! Além de não ter onde estacionar, é bem provável que você volte sem ela!”

Daí a alternativa que cabia no meu bolso foi o bom e velho “busão”. E, naquela altura do campeonato, viajar em ônibus “leito” ou “semi-leito” era um luxo para quem não havia mudado de ideia em cima da hora.

Mas tudo valia a pena para viver o maior evento esportivo do planeta em nosso país, inclusive encarar uma viagem de 6 horas no aperto.

E, sentada perto da janela, comecei o passeio tão empolgada como se estivesse na primeira classe de um voo internacional…

Enquanto devaneava imaginando os resultados dos jogos que assistiria, tentei apoiar meu braço no braço da poltrona.

Aqui, cara leitora, vale fazer uma pausa para observar que minha envergadura é longa… Se fosse atleta olímpica, inevitavelmente seria comparada a Michael Phelps… Assim, comportar toda essa dimensão no limite de uma poltroninha convencional durante 6 horas é realmente um martírio.

E, no momento em que pretendi descansar meu braço na divisão entre os assentos, fui obrigada a reparar no ser energúmeno que sentava ao meu lado. Era um moleque franzino com envergadura mediana, mas, como todo bom representante dos “cromossomos capengas”, já estava com o braço dele colado no braço da poltrona, como se o ônibus fosse dele…

Imagino que deva haver um “Código do Macho” determinando que os homens tenham a preferência para se espalhar em todos os cantos. É realmente impressionante que na cabeça deles caiba à mulher retrair-se ao máximo para que eles tenham o “domínio espacial” em quase todo tipo de lugar: viagens de ônibus, carro, avião, nas mesas de bar, poltronas da sala de estar, pistas de balada… E a simples lembrança desse comportamento masculino irritante desencadeia em mim uma revolta enfurecida.

E foi assim que, no microcosmo entre nossas poltronas, travou-se uma batalha épica pela igualdade de gênero.

Minha primeira reação foi tentar empurrar delicadamente o braço dele para que os braços de cada um ocupassem simultaneamente a exígua largura da divisão entre os assentos. Mas ele não recuou um milímetro.

Assim, restou-me perguntar na lata, mas em tom conciliador: “Você pretende ficar com o braço aí por muito tempo? Podemos revezar?”

O ser, simulando dormir, não respondeu.

Não tive dúvidas e usei a comunicação “física” (um cutucão leve) para iniciar a pretendida negociação. O ser, sem demonstrar estar vivo, nem se deu ao trabalho de mexer um músculo.

Cutuquei-o novamente, mas desta vez com violência.

– Ai, o que foi? finalmente respondendo ao chamado.

– Você notou que está usando o braço da poltrona há muito tempo?

– E daí? – contestou como se eu estivesse pedindo algo além da imaginação…

– Bem, apesar de mulher, eu também tenho direito de utilizar essa facilidade, se é que você nunca pensou nisso.

Ele demorou pra responder (talvez as justificativas não estejam enumeradas no referido “Código do Macho”):

– Vi logo que você é uma dessas “feminazis”…

– Sou feminista sim, com muito orgulho.

– Quer colocar seu braço aqui? Então, coloque!

– Claro que o mais justo é fazer um “revezamento” a cada 30 minutos.

– O que você quer dizer com isso?

Abrandei com louvor meu asco com a leseira do ser e respondi calmamente:

– O ideal é dividirmos o tempo de utilização do braço da poltrona. E sugiro 30 minutos para cada um.

– Quer saber? Deixa pra lá!

Ele ainda resmungou algo, mas não tive a mínima pretensão de saber sobre o que reclamava.

Nos próximos minutos da viagem, descansei tranquilamente meu braço na poltrona. E, até a parada do ônibus, tudo transcorreu normalmente.

Na parada, levantei. Depois de tomar uma coca e comer um pão de queijo, voltei ao meu lugar. Ele já estava no assento dele, com seu antebraço fracote apoiado no braço da poltrona.

Pedi licença, sentei em meu lugar e pensei: “Tudo bem, agora é a vez dele!” E não criei caso.

Porém, mais de uma hora se passou e o ser continuava com o braço colado na divisão entre os assentos. E mais: com o cotovelo inteiro ocupando meu espaço.

Com a revolta crescendo em velocidade galopante, usei o meu potente cotovelo para aplicar-lhe um golpe rápido e certeiro.

– Ai, sua filha da puta! Mulher assim só pode estar pedindo pra apanhar…

– Quer me bater? Tente! Você não vai durar um minuto!

Neste momento, os passageiros que não estavam dormindo se viraram imediatamente para conferir uma briga que prometia ser mais emocionante do que os campeonatos de box e judô nas Olimpíadas.

– Não bato em baranga feminista! Só bato em mulher de verdade… E quando elas pedem…

– Bem, pela sua cara de virgem inexperiente, é certo que nunca encostou numa mulher. E só uma dica: cuidado da próxima vez que ameaçar alguém bem mais forte do que você. Há o risco de sair morto.

– Você é louca? Acha que ganharia uma briga comigo?

– Não acho, tenho certeza e estou pronta para demonstrar.

Ele me encarou de cabo a rabo. E deve ter se dado conta de minha envergadura “tamanho Michael Phelps” quando mirou atentamente a tatoo de caveira que tenho no braço esquerdo. A partir daí, não falou mais nada.

Até chegar ao Rio, minha caveira predileta descansou sem interrupções no braço daquele trono de campeã olímpica.

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